Walt Whitman (1819 - 1892)

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(...) What do you see, Walt Whitman? Who are they you salute, and that one after another salute you? (...)
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22 de maio de 2010

"Liberdade" de Fernando Pessoa interpretado por João Villaret


Mais uma vez Fernando Pessoa...


LIBERDADE
(Interpretado na voz de João Villaret é como eu me lembro deste poema)

Ai que prazer

Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!

Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.


O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

Villaret
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Villaret.jpg

Que saudades que deixou JoãoVillaret, não me vou esquecer nunca do som inconfundível da sua voz e da sua capacidade de nos surpreender.

Mesmo eu que amo os livros, prezo esta "liberdade" hoje não vou pegar num livro!

e que prazer...

Até breve Tágide!




20 de maio de 2010

"O monge e o filósofo" - Jean-François Revel e Mathieu Ricard


Mudando completamente de tema e de tom encontrei este livro e pensei que era altura de o mencionar aqui:


"Le moine et le philosophe"

Pai e filho. Um nasceu em 1924, o outro em 1946; um é filósofo, ensaísta, professor e ex-director do L’Express, o outro é cientista, especialista em Biologia Molecular e ex-investigador no Instituto Pasteur de Paris.

O pai, Jean-François Revel, pertence à Academia Francesa e foi premiado pelo conjunto da sua obra literária; o filho, Mathieu Ricard, abandonou uma carreira brilhante para se converter ao budismo, fez-se monge, tornou-se um dos maiores especialistas mundiais em matéria de espiritualidade tibetana e é há muitos anos o tradutor e acompanhante do Nobel da Paz.
Mathieu Ricard pertence ao círculo íntimo do Dalai Lama, fez incontáveis traduções de escritos tibetanos antigos e é autor de alguns livros de referência sobre o budismo.


Há cerca de doze anos pai e filho decidiram sentar-se juntos em Hatiban, no Nepal, no isolamento de um lugar único erguido no cimo da montanha que domina Katmandu, para uma longa conversa que haveria de ser gravada e depois editada em forma de livro.


Matthieu Ricard in Tibet

"Le moine et le philosophe" não é um livro recente, portanto. Mas continua actual. Dolorosamente actual, para ser mais exacta. Os factos relativos às perseguições, extermínios e domínios permanecem na ordem do dia e revelam a atitude de impiedosa repressão exercida e mantida pelo governo chinês sobre o povo tibetano.

Ao longo do livro que agora leio com um olhar mais atento por ter acompanhado de perto os ensinamentos do Dalai Lama quando esteve em Lisboa, mas também por ter no meu círculo de amigos alguns budistas, esta realidade do genocídio e de todas as formas de opressão está muito presente e obriga a pensar.
Mas há uma outra realidade, infinitamente mais luminosa e inspiradora, que faz parar aqui e ali, sublinhar o que está escrito e até pousar o livro por breves momentos para conferir mentalmente teorias e práticas.

Não sou budista nem nunca serei mas esta certeza íntima não atrapalha em nada o meu fascínio pela espiritualidade tibetana e muito menos impede a minha adesão incondicional à personalidade e mensagem do Dalai Lama.

Mesmo não sendo dada à meditação budista, vou tentando perceber uma ou outra coisa que encaixo e adapto ao meu espírito que recorrentemente precisa de silêncio e contemplação.
O livro foi-me oferecido por uma amiga budista que sabe e percebe que há mais coincidências do que divergências entre quem "contempla" e quem medita. O gesto de me oferecer este e outros livros revela uma delicadeza enorme e uma amizade atenta ao essencial, aliás. Não se trata de uma tentativa de conversão mas antes de uma possibilidade de comunhão em questões fundamentais.

Hans Kung, filósofo alemão contemporâneo de Jean-François Revel, diz que é pela ética que vamos e eu acredito que sim, que a ética é um grande caminho para a humanidade.


Acredito que o altruísmo, a bondade e a sinceridade são as rectas dessa longa e sinuosa estrada e sei que não são exclusivos de nenhuma fé, culto religioso ou prática espiritual. Melhor assim.


Até breve Tágide!

Transcrevo alguns excertos que me parecem merecer serem compartilhados:

” Com muita frequência, a fascinação pelo “novo”, pelo “diferente”, reflecte uma pobreza interior. Incapazes de encontrar a felicidade em nós mesmos, nós a procuramos desesperadamente do lado de fora, em objectos, experiências, maneiras de pensar ou de se comportar cada vez mais estranhas. Em suma, afastamo-nos da felicidade procurando-a onde ela não está.”


“Em vez de aprender a não ter necessidades, nós multiplicamos necessidades.”

” O sofrimento resulta da ignorância. Portanto é a ignorância que preciso dissipar. E a ignorância, na sua essência, é o apego ao “eu” e à solidez dos fenómenos. Aliviar os sofrimentos imediatos de outrem é um dever, mas não basta: é preciso remediar as causas do próprio sofrimento.”

“Pode-se deter um conflito, uma guerra, mas outros sobreviverão, a menos que o espírito das pessoas se modifique.”

“O Poder, as posses, os prazeres dos sentidos, a fama – podem proporcionar satisfações momentâneas, mas nunca são fontes de satisfação permanente e, mais cedo ou mais tarde, transformam-se em descontentamento".

” Numa primeira análise, o budismo conclui que o sofrimento nasce do desejo, do apego, do ódio, do orgulho, da inveja, da falta de discernimento e de todos os factores mentais que são chamados negativos ou obscurecedores, porque transtornam o espírito e o mergulham num estado de confusão e insegurança.”

” A fé  torna-se superstição quando se distancia da razão, ou mais ainda, quando ela se opõe. Mas quando está associada a razão, impede-a de ser um simples jogo intelectual”

” Já dizia Epicuro que cada necessidade satisfeita cria novas necessidades e multiplica o sentimento de frustração.”


in Jornal de Letras



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"Yargo" de Jacqueline Susann - e percebi que uma estrela dançava no céu à minha espera!


Prometi por isso cá estou a falar do tal livro "Yargo" que no ínicio dos anos 80 quase decorei com medo que "Fahrenheit 451" fosse mesmo acontecer! (ver o meu post de ontem).

Sinopse livre da história:

Janete Cooper sonhava com a sua vida enfadonha na praia da sua infância quando percebeu que uma estrela dançava no céu á sua espreita. Tentou pedir um desejo que pudesse mudar a sua vida tão vazia de emoções. O seu destino era casar com David, mas até então, não tinha a certeza se aquela era uma escolha realmente sua ou da sua Mãe que sempre dava palpites na sua vida.
Foi depois deste insólito acontecimento que pensou falar com o seu psiquiatra. não sobre as dúvidas em relação ao seu casamento com David, mas sobre aquela luz que bailava no céu, um disco voador que a iria levar em breve para o mundo de Yargo.
Os habitantes de Yargo eram seres extremamente belos e evoluídos.


Levada por engano por ter sido confundida com uma cientista famosa, Janet chega a Yargo,  planeta muito distante da terra.
A viagem foi tão inacreditável, que até parecia uma excursão diante da hospitalidade do povo, mas a frieza com que anunciaram que fora um erro levá-la para lá foi uma surpresa... e agora? Não podia voltar para a Terra, restava saber se o planeta Marte a aceitaria. Um julgamento é marcado para decidir o seu destino.
Diante do "Deus" Yargo (que ela conheceu somente no dia do julgamento), não pode deixar de chorar impressionando todos os presentes que acharam aquele impulso uma coisa rara e milagrosa, mas ela não podia ficar.
Estava tudo preparado para a sua viagem que teria a trajectória alterada bruscamente.


Será que Janet ira voltar para sua vida, será capaz de contar ao mundo o que estava preparado para uma cientista famosa contar, logo Janet, tão simples e desconhecida.(...).

Acho que devia ter uns doze ou treze anos quando li este livro! aliás este foi um dos últimos livros que li antes de entrar numa longa fase de "ficção científica"! Acho que quase todos os adolescentes do meu tempo passaram por essa fase.

Mais tarde descobri que o livro mais notável de Jacqueline Susann  foi Valley of the Dolls - "O Vale das Bonecas" (em português), um livro que quebrou todos os recordes de vendas e que deu origem a um filme e a uma série televisiva.

Valley of The Dolls(book cover)by Jaqueline susann


Publicado originalmente em 1966, "O VALE DAS BONECAS", de Jacqueline Susan, é um clássico da literatura americana. Com ingredientes explosivos para a época: muito sexo e drogas, o livro ajudou a retratar um outro lado da nova mulher dos anos 60 e consagrou-se como um grande clássico da cultura pop. A história de três mulheres bonitas e completamente viciadas em comprimidos - e no seu caminho árduo até á fama e fortuna tornou-se um grande sucesso de vendas.

Anne, Neely e Jennifer têm um sonho em comum: o sucesso no showbiz. As três conhecem-se em Nova York e tornam-se amigas. Circulando pelos bastidores nem sempre glamurosos do mundo dos espectáculos, elas compartilham os mesmos objectivos, decepções e um apetite voraz por estimulantes, que ingerem com fartas doses de álcool.

Qualquer semelhança é realmente mera coincidência com a vida de quase-estrela da Broadway de Susan nos anos 50. Mesmo sendo o romance mais característico dos anos 60 "O VALE DAS BONECAS" parece ter previsto os movimentos pós-punk e pós-feministas dos anos 90. Foi adaptado para o cinema em 1967 com Sharon Tate, Patty Duke e Barbara Parkins nos papéis principais.

Jacqueline Susan deixou sua cidade natal, Philadelphia, aos 18 anos, partindo para Nova York onde viveu e trabalhou como actriz por muitos anos. Contudo, foi o sucesso dos seus livros:  "O vale das bonecas", "A máquina do amor" e "Uma vez só é pouco" que a transformaram numa verdadeira "superstar" kitch. Susan, que morreu em 1974, foi casada com o produtor Irving Mansfield.

"Jacqueline Susan compreendia por instinto que seus leitores estavam prontos para o lado cru do amor, para uma sexualidade mais aberta e um tipo de história mais duro. Para um romance com lágrimas e sexo oral." - in The New Yorker

Tudo bem um pouco kitch!  mas "Décadas à frente de seu tempo!"

Para a próxima prometo mais "substância"!!! Boas leituras. Até breve Tágide.



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19 de maio de 2010

"Fahrenheit 451" de Ray Bradbury - "O tempo adormeceu sobre o sol da tarde(...)"

Fahrenheit 451Image via Wikipedia

"Fahrenheit 451"

é um romance de ficção científica "soft", escrito por Ray Bradbury e publicado pela primeira vez em 1953.
O conceito inicial do livro apareceu em 1947 com o conto "Bright Phoenix" (que só seria publicado na Revista Magazine of Fantasy and Science Fiction em 1963). 
O conto original  foi reformulado na novela "The Fireman" e publicado na edição de Fevereiro de 1951 da revista Galaxy Science Fiction.

Escrito nos anos iniciais da Guerra Fria, o livro é uma crítica à disfuncional sociedade americana. O romance apresenta um futuro onde os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas anti-sociais, hedionistas e o pensamento crítico é suprimido.


O personagem central Guy Montag, trabalha como "bombeiro" ( o que na história, ironicamente significa "alguém cuja actividade profissional é queimar livros"). 
O número 451 refere-se á temperatura em graus Fahrenheit a que um livro arde.



Cover of "Fahrenheit 451"Uma versão do filme foi lançada em 1966.
Outras versões foram pensadas mas até à data nenhuma se concretizou.
Através dos anos este romance foi submetido a várias interpretações primeiramente focadas no acto de "queimar os livros" e na supressão de ideias dissidentes.
Bradbury declarou que o romance não trata de só de censura, e afirma que "Fahrenheit 451" é uma história sobre como a televisão consegue destruir o interesse pela leitura.


Bradbury afirma que o romance foi escrito nas salas da Biblioteca Powell, localizada na Universidade da Califórnia numa máquina de escrever velha e alugada.
A sua intenção original quando escreveu  Fahrenheit 451 era mostrar o seu grande amor pelos livros e por bibliotecas.
Ray refere-se frequentemente a Montag (personagem principal do livro) como uma alusão a ele mesmo.

Fahrenheit é contado num futuro distante numa América anti-intelectual que perdeu totalmente o controle. Uma América, recheada de ilegalidade nas ruas, desde os jovens que chocam carros contra pessoas apenas por divertimento, até ao bombeiro e ao seu cão de caça mecânico para caçar animais nas suas tocas, apenas pelo simples e grotesco prazer de os ver a morrer.
Nesta sociedade qualquer um que é apanhado a ler um livro é, no mínimo, confinado a um hospital psiquiatrico.
Quanto aos livros estes são considerados ilegais e uma vez na posse de alguém, são queimados por "bombeiros".


Havia muito para dizer ainda sobre este livro, o filme a que deu origem, e o quanto este me marcou durante a minha adolescência! Acreditei piamente que tudo isto poderia mesmo acontecer e logo me aprecei a decorar o meu livro preferido na altura... nem sei se diga aqui publicamente que livro era esse! coragem...

Nem sempre lemos obras primas! aliás nesses longos meses de Verão, sem aulas, lia-se de tudo! e depois com o tempo veio a "selecção natural" mas nunca tive a pretensão de poder dizer objectivamente que um livro não é bom! "Food for thought again"!

Confissão: o livro que tentei decorar na altura foi :

"Yargo" de uma escritora chamada Jacqueline Susann.


Deste falarei em breve! Boas leituras e até breve...Tágide

PS - agora vou arranjar coragem e inspiração para vos falar de "Yargo" ups!


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16 de maio de 2010

Feira do Livro de Lisboa 2010








Começou no dia 30 de Abril, às 12:30 a Feira do Livro de Lisboa.

A feira apresenta este ano pavilhões completamente novos, giros, mais pequenos mas muiiiiito mais funcionais. Também haverá mais actividades e mais espaços de restauração do que em anos anteriores.
E, finalmente, terá um novo horário:

2ª a 5ª Feira - das 12h30 às 20h30

6ª e véspera de feriados - das 12h30 às 23h00

Sábados - das 11h00 às 23h00

Domingos - das 11h00 às 22h00

É fantástica, a sensação de estar num jardim onde existe uma feira que tem as bancas cheias de livros, que podemos tocar, desfolhar e sentir o seu cheiro, demorando-nos, com todas as capas disputando a nossa atenção…
É sempre bom ver as barraquinhas pelo Parque Eduardo VII acima, com o cheirinho a farturas no ar e a perspectiva de uma tarde passada entre livros…
Não perca e boas leituras! Até breve Tágide.
 
 
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1 de maio de 2010

Dorian Gray de Oscar Wilde

Está em cena já com uns meses de atraso aqui em Portugal a ultima versão cinematográfica de "Dorian Gray" de Oscar Wilde.


Realização: Oliver Parker 

Interpretação: Colin Firth, Rebecca Hall, Ben Barnes, Emilia Fox, Rachel Hurd-Wood

Argumento: Toby Finlay

Texto: Oscar Wilde

Sinopse:

"(...)Quando Dorian Gray, um jovem ingénuo de uma admirável beleza, chega à Londres Vitoriana, rapidamente é arrastado pelo carismático Henry Wotton para o turbilhão da alta sociedade local, onde se inicia nos prazeres da cidade.
Pouco tempo depois, um amigo de Henry, o artista Basil Hallward, decide pintar o retrato de Dorian a fim de captar todo o poder da sua beleza.
Quando a obra é finalmente desvendada, Dorian faz uma irreverente promessa: dar tudo para se manter para sempre igual ao seu retrato, até mesmo a alma.
À medida que as suas aventuras libertinas continuam, Dorian repara que o seu retrato, então guardado no sótão, começa a revelar uma imagem perturbadora, com o que deveriam ser as marcas dos seus excessos, ao passo que a sua própria cara se mantém inalterada pelo tempo e pelas suas acções.

Adaptação da famosa novela de Oscar Wilde.(...)"

in Magazine de Cinema Sapo.





Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde



Irlanda


[1854-1900]

Escritor/Poeta/Dramaturgo/Ensaísta


Biografia:



Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Era filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia a rainha, e de Jane Speranza Francesca Wilde, que escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudónimo de Speranza. Foi educado no Trinity College, em Dublin, e mais tarde em Oxford.

Foi para Londres em 1879, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma colectânea de seus poemas. Casa-se em 1884 com a bela Constance Lloyd. Alguns anos mais tarde, começa a ser amplamente reconhecido.

Com a publicação de Retrato de Dorian Gray, começa a sua verdadeira carreira literária .
A sua vida privada, no entanto, não fica imune diante das regras estritas do conservadorismo vitoriano, quando passa a viver a vida ambígua de homossexual e homem casado.
À medida que sua carreira floresce, o risco de um escândalo torna-se cada vez maior.

Oscar Wilde começa a negligenciar a esposa e os filhos. O seu sucesso continua com  A Woman of no Importance (1893) e Salomé (1893). Como a homossexualidade era por si só ilegal, Wilde acaba por ser preso e condenado a cumprir dois anos de trabalhos forçados. As condições calamitosas da prisão causam-lhe uma série de doenças que o leva às portas da morte. Entretanto, ainda, é declarada a sua falência. Constance deixa o país com os filhos e muda o nome de família.

Libertado em 1897, Wilde tenta atender aos desejos de Constance e envia ao amante, cujo pai o levara à cadeia, uma carta épica profundamente emocionante: De Profundis.
Deixa a Inglaterra e vai para a França, onde assume o nome "Sebastian", como o santo.
Morre arruinado em 30 de novembro de 1900.
Hoje pode-se ver um monumento no seu túmulo do cemitério Pere Lachaise, em Paris.


Bibliografia:



1888 - O Príncipe Feliz e outras Histórias - Contos

1889 - O Retrato do Sr. W. H. - Romance

1891 - O Retrato de Dorian Gray - Romance

1891 - A Alma do Homem Sob o Socialismo - Ensaio

1892 - O Leque de Lady Windermere - Comédia

1893 - Salomé - Drama

1894 - Uma Mullher sem Importância - Romance

1895 - A Importância de Ser Prudente - Comédia

1895 - Um Marido Ideal - Peça de teatro

1896 - A Balada do Cárcere de Reading - Poema

1897 - De Profundis - Carta


Oscar Wilde foi mais um destes excêntricos que levaram suas paixões muito além da própria realidade.
E como comentou Albino Forjaz de Sampaio a seu respeito: "Irmão gémeo de Baudelaire na excentricidade". Ele era a imagem da mais pura representação do Dandysmo londrino!


Vaidoso ao extremo, o verdadeiro príncipe da moda insultou sem piedade o dia-a-dia da sociedade a que pertencia. Sua genialidade, porém, fazia-o provocar os "moralistas", mas com inteligência, estilo próprio e sempre de forma original.

"O Retrato de Dorian Gray" é sem dúvida nenhuma a obra que o consagrou definitivamente para a imortalidade, e o próprio cinema deu ainda mais vida à sua obra.
Das páginas de seu romance publicado no ano de 1890, tiramos palavras tão profundas que, ouvindo-as serem pronunciadas por uma de suas personagens, numa imagem de cinema, ficamos directamente envolvidos no conflito que reflete no seu âmago cada um de nós na sua essência...

Mas ver o filme e ler o livro é muito mais que um simples entusiasmo momentâneo, é algo para rever sempre, reflectir, analisar.
Então outra personagem assombra-nos com as seguintes palavras, é o próprio Dorian Gray quem fala:

Se eu ficasse sempre jovem e esse retrato envelhecesse?! Por isso eu daria tudo! Sim, não há nada no mundo que eu não desse! Daria até a minha própria alma!"


Um pacto! Uma espécie de "Fausto Goetheano", mas ainda jovem clamando por seu Mephistófeles...
O inimigo da luz, mas o único que nos devolve a nossa juventude que a cada dia se esvai!

Quem de nós numa noite qualquer de insónia, pelas tantas horas da madrugada, não pensou profundamente nesta questão?

Velhice, juventude... duas palavras que dá no que pensar, e destas palavras Oscar Wilde criou uma obra excepcional! Isto não é maravilhoso? Sim, Wilde é como Albino Forjaz Sampaio falou: "Subtil autor de 'The Picture of Dorian Gray'"

Enfim, Oscar Wilde foi um gigante da literatura, sua arte fantástica está nos seus livros e cabe a nós explorarmos este vasto universo. E um bom começo é escolher uma destas madrugadas para assistir o filme "O Retrato de Dorian Gray".


Até breve Tágide!





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28 de abril de 2010

Hoje a minha escolha vai para o cinema Francês


Eu ainda sou do tempo em que a RTP (canal 2) passava todas as semanas um filme francês, mas longe vão esses dias..
Temos de estar muito atentos hoje em dia para não deixar escapar exibições de filmes franceses.
Estes foram os últimos que vi e gostei: 




"De Tanto Bater, Meu Coração Parou"

(Jacques Audiard / 2006. um rapaz trabalha despejando invasores de prédios de Paris para serem vendidos a especuladores imobiliários. apesar do quotidiano violento, nutre o sonho de ser concertista de piano, como a falecida mãe. ganhou 8 Césars e o Bafta). Excerto de Diário de Notícias.


"Séraphine"

(Martin Provost / 2008. A biografia da Pintora, que era empregada doméstica na cidade Senlis, descoberta por um crítico alemão, pouco antes da primeira guerra. sua trajectória, do anonimato ao sucesso e à quase loucura deu ao filme 7 Césars). Excerto de Diário de Notícias.




"Há Tanto Tempo que te Amo"

(Philippe Claudel / 2008. Depois de 15 anos na cadeia, uma mulher -
Kristin Scott-Thomas - vai para a casa da irmã mais nova, que é casada e tem duas filhas adoptivas. Aos poucos ficamos a conhecer seu passado e o que se passou para ela ser condenada. tocante, contido e com grandes interpretações). Excerto de Diário de Notícias.


 
É bom ser surpreendido por filmes que não são blockbusters e que nos tocam com temas actuais e a sempre bonita sonoridade da língua francesa!! Não digam que não é verdade!

Até breve Tágide


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27 de abril de 2010

Walt Whitman mais uma vez





Ainda no seguimento do meu post de ontem...

Walt Whitman foi, acima de tudo, um homem que atendeu à chamada para a invenção de uma poesia nova, que falasse a língua do novo país que se estava a formar..
Alguém que se orgulha excessivamente da sua nação? Sim, de certa forma.
Idealista? Sim, em alguns dos poemas.
Mas sempre inventivo, corajoso, e sempre a tentar, com sua palavra, prestar conta do seu tempo histórico, das lutas ocorridas durante sua vida, não só no âmbito pessoal (seus amores e desamores), mas também na vida da nação:
- a guerra civil, durante a qual trabalhou como enfermeiro voluntário (ver especialmente os poemas da secção “Drum-Taps”);
- o assassinato de Abraham Lincoln (na secção “Memories of President Lincoln”);

Um homem do seu tempo, cuja voz vem atravessando os séculos.

Walt Whitman deixou-nos, com Leaves of Grass, seu testemunho e seu testamento humano e literário. Muitos que vieram depois dele  inspiraram-se, aprenderam com ele, discordaram dele, amaram-no e até o odiaram. Mas o seu livro continua vibrante e essencial ainda hoje.

Certamente continuará por ainda muitos anos mais, gerando poemas e poetas.

Voltarei a falar de Walt Whitman.

Até breve.
Tágide
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26 de abril de 2010

Olhar com olhos de ver!


















Este olhar profundo de Walt Whitman serve de imagem central deste blog porque há muitos anos atrás, quando li pela primeira vez, um dos seus poemas:

"Salut au monde!"

fiquei muito curiosa e nunca mais me esqueci dos versos que aqui transcrevo!

"(...)What do you see Walt Whitman?
Who are they you salute, and that one after another salute you?
I see a great round wonder rolling through space,
I see diminute farms, hamlets, ruins, graveyards, jails, factories,
palaces, hovels, huts of barbarians, tents of nomads upon the surface,
I see the shaded part on one side where the sleepers are sleeping,
and the sunlit part on the other side,
I see the curious rapid change of the light and shade,
I see distant lands, as real and near to the inhabitants of them as
my land is to me.(...)"



Walt Whitman foi um poeta norte-americano, descendente de ingleses e holadenses, nascido em West Hills, Long Island.

Contudo, quando tinha apenas quatro anos, sua família mudou-se para Brooklyn, onde frequentou até aos onze anos uma escola oficial, trabalhando depois como aprendiz numa tipografia.

A obra poética de Whitman centra-se na colectânea "Leaves of Grass" dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve ao todo oito edições durante a vida do poeta.

Whitman morreu no dia 26 de Março de 1892 e foi sepultado em Camden, New Jersey.
Cinco anos depois foi publicada em Boston a décima edição de Leaves of Grass (1897), a que se juntaram os poemas póstumos "Old Age Echoes".

Nos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais.

Na sua obra "Leaves of Grass", Whitman exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa.

Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América.

Ficou ainda mais conhecido mundialmente a partir das citações inseridas no enredo do filme original "Dead Poets Society".

Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman".

Walt Whitman introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida.

A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais traduz a ideia de totalidade no verso livre, que irá influenciar não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa.

Saudação a Walt Withman, poema do heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, é uma espécie de manifesto a Walt Whitman.

No poema de Álvaro de Campos, o poeta transmite a sensação de um nervosismo que beira a histeria e afirma ter dúvidas quanto à utilidade da própria existência.
Diz explicitamente que lamenta não ter tido a "calma superior" do poeta americano.

O verso livre e o recurso poético chamado "paralelismo" está neste poema.
Pode-se dizer que o princípio do paralelismo domina a estrutura da poesia.

Na Saudação a Walt Whitman, três versos dão conta da natureza futurista de que era feito Álvaro de Campos.

Ele classifica assim o poeta americano:

"(...)Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquina,
Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor,
Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura(...)".

O futurismo de Álvaro de Campos não é do tipo que empresta às banalidades da vida moderna o estatuto de poesia ou que tenta consolidar novos cânones em detrimento de outros fundadores do pensamento que lhe é contemporâneo.

Álvaro de Campos extrai do moderno o perene, actualiza a ideia e o conceito na matéria viva, revela o eterno no aparentemente transitório.

O poeta americano e seu pansexualismo — “sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões” — uma revelação feliz e bem resolvida de uma certa palpitação erótica — insatisfeita, sofrida, impotente — que se percebe em todos os poemas de Álvaro de Campos.

No seu caso, no entanto, o desejo, sem definição de género, como o de Whitman, parece jamais ter encontrado um lugar, um objecto em que se fixar, um corpo em que se exercer.


"Food for thought"... Dá mesmo em que pensar! Até breve. Tágide
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