Walt Whitman (1819 - 1892)

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(...) What do you see, Walt Whitman? Who are they you salute, and that one after another salute you? (...)
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26 de maio de 2010

Obras de Henry James - "The turn of the screw" entre outras.

Photograph of Henry James.Image via Wikipedia




























"Henry James, romancista americano nascido em Nova Iorque, a 15 de Abril de 1843, naturalizou-se cidadão inglês em 1915. Criador de uma vasta obra (escreveu 20 romances, 112 contos, 12 peças de teatro e alguns artigos de crítica literária), Henry James é uma das grandes figuras literárias de língua inglesa.

Beneficiou de uma educação esmerada, pois o seu pai era um dos mais conhecidos intelectuais americanos. Durante a juventude, Henry James realizou viagens frequentes à Europa, vindo mais tarde a viver em Paris, onde foi correspondente do New York Tribune, e em Inglaterra, país onde viria a morrer em 1916.

Autor de obras-primas como Daisy Miller (1879), Portrait of a Lady (1881), The Bostonians (1886) e The Embassadors (1903), Henry James foi postumamente laureado com graus pelas Universidades de Oxford e Harvard, eleito para o National Institute of Arts and Letters e, em 1950, para a American Academy of Arts and Letters,
tendo recebido também a Ordem de Mérito pelo Rei George V.


A novela The turn of the screw de Henry James foi objecto de intensa actividade de crítica literária.
Ao longo de cerca de um século, dois grandes grupos interpretativos tornaram-se referência obrigatória sobre o assunto. O primeiro deles é composto, grosso modo, de resenhas, artigos e livros que inserem a novela na linha da narrativa fantástica; já o segundo grupo interpretativo pode ser nomeado de "psicologizante", ao sugerir que The turn of the screw não é uma história de fantasmas, mas o estudo em ficção de um caso de doença psíquica. Nessa linha de debates, o autor procura introduzir uma terceira via interpretativa que se fundamenta nalguns aspectos técnicos da obra teórica de William James, irmão de Henry.

A novela The turn of the screw, de Henry James, suscitou interpretações várias desde sua aparição em 1898. Como se pode esperar de toda obra suficientemente rica, algo nela – talvez o estilo refinado de James ou as tonalidades de colorido afectivo emprestadas aos personagens; talvez a complexidade dos climas instaurados ou apenas o teor do tema explorado – permite que cada um a leia de um modo diverso. Logo nas primeiras linhas, o escritor leva o leitor a paragens misteriosas.

No prólogo, estabelece-se a moldura da história: um homem, após as mortes do seu irmão e cunhada na Índia, passa a tutor do casal de sobrinhos. Sem a menor aptidão para os atributos práticos e afectivos de uma paternidade acidental, o tio instala as crianças em uma casa de campo em Bly, deixando-as aos cuidados directos de uma jovem preceptora, que, em dado momento, morre em circunstâncias misteriosas. Diante deste facto fúnebre, o tio contrata uma nova preceptora, também jovem e bonita como a anterior, para a educação e orientação das crianças.


O isolamento em Bly, intensificado pela "condição principal" imposta pelo tio, que era a de não ser nunca incomodado, é fundamental para a criação da atmosfera nubelosa em que a história se desenvolve, na verdade um relato em tom de diário escrito pela nova preceptora. Nesse relato, há, predominantemente, a presença das crianças, de uma empregada da casa e, é claro, da própria autora do manuscrito, sendo os outros personagens figuras muito apagadas, quase ausências. Mas, pouco a pouco, como a bruma, uma inquietude, intensificada e matizada ao longo da novela, insinua-se pelas páginas do diário, anunciando os primeiros sinais da presença de outros personagens mais sinistros.

Da sugestão de um sobrenatural mais diáfano, a história toma, a partir de certo ponto, um sentido fantasmagórico franco, como o comprova a sucessão de aparições sobrenaturais à preceptora e, possivelmente, às crianças também.




É difícil escolher trechos, que mostrem a ambiência de mistério, morbidez e terror sugerida aos leitores de The turn of the screw. O melhor é mesmo ler o livro e deixar-se transportar para esta envolvência fascinante.

Alguns jornais da época em que a novela foi lançada, manifestaram opiniões extremas, talvez como uma primeira reacção à violência que o texto produziu nos leitores. E mesmo H. James teria provado de seu próprio veneno, ao experimentar "parte do terror que ele estava tentando evocar".
O misto de fascínio e estranheza que as histórias de fantasmas costumam provocar parece ganhar sua expressão plena na escrita envolvente de James.


Como destacou um dos comentadores da obra do escritor, "em geral os fantasmas de James não são gratuitos como tendem a ser no conto usual de terror. Como aqueles de Shakespeare, eles aparecem apenas para pessoas a quem a angústia tenha primeiro qualificado para a experiência".
Seguindo essa directriz, alguns críticos privilegiaram a busca de um sentido psicológico para as vivências incomuns experimentadas pela nova preceptora. Basearam-se, talvez de modo excessivamente esquemático, na convicção de que haveria algum tipo de conflito interno na base das angústias e, nesse caso, das pseudo-alucinações ou alucinações visuais experimentadas pela protagonista.


O que James adicionou ao conto fantástico foi, na realidade, uma série de profundos estudos acerca das modalidades da angústia humana – da capacidade que os homens têm de se temerem a si próprios, com fantasmas de sua própria invenção.


Para além deste fantástico conto H. James e dos romances, relatos curtos e obras de teatro, o autor deixou inúmeros ensaios sobre viagens, críticas literárias, cartas, e três obras autobiográficas.
Os últimos anos da sua vida transcorreram em absoluto isolamento na sua casa, que só deixou em 1904 para regressar brevemente aos Estados Unidos depois de 20 anos de ausência.

Em 1915, com a Primeira Guerra Mundial, James adoptou a cidadania britânica. Morreu aos 72 anos, pouco depois de receber a Ordem do Mérito britânica."

The Turn of the Screw já foi adaptado várias vezes ao cinema e em séries televisivas da BBC.

(Tradução livre de artigo in Mirror.co.uk).

Há uma obra de Henry James "The Portrait of a Lady" que irei por certo abordar aqui mas por agora deixo-vos com este fantástico:
The Turn of the Screw! Boas Leituras, até breve Tágide.

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20 de maio de 2010

"Yargo" de Jacqueline Susann - e percebi que uma estrela dançava no céu à minha espera!


Prometi por isso cá estou a falar do tal livro "Yargo" que no ínicio dos anos 80 quase decorei com medo que "Fahrenheit 451" fosse mesmo acontecer! (ver o meu post de ontem).

Sinopse livre da história:

Janete Cooper sonhava com a sua vida enfadonha na praia da sua infância quando percebeu que uma estrela dançava no céu á sua espreita. Tentou pedir um desejo que pudesse mudar a sua vida tão vazia de emoções. O seu destino era casar com David, mas até então, não tinha a certeza se aquela era uma escolha realmente sua ou da sua Mãe que sempre dava palpites na sua vida.
Foi depois deste insólito acontecimento que pensou falar com o seu psiquiatra. não sobre as dúvidas em relação ao seu casamento com David, mas sobre aquela luz que bailava no céu, um disco voador que a iria levar em breve para o mundo de Yargo.
Os habitantes de Yargo eram seres extremamente belos e evoluídos.


Levada por engano por ter sido confundida com uma cientista famosa, Janet chega a Yargo,  planeta muito distante da terra.
A viagem foi tão inacreditável, que até parecia uma excursão diante da hospitalidade do povo, mas a frieza com que anunciaram que fora um erro levá-la para lá foi uma surpresa... e agora? Não podia voltar para a Terra, restava saber se o planeta Marte a aceitaria. Um julgamento é marcado para decidir o seu destino.
Diante do "Deus" Yargo (que ela conheceu somente no dia do julgamento), não pode deixar de chorar impressionando todos os presentes que acharam aquele impulso uma coisa rara e milagrosa, mas ela não podia ficar.
Estava tudo preparado para a sua viagem que teria a trajectória alterada bruscamente.


Será que Janet ira voltar para sua vida, será capaz de contar ao mundo o que estava preparado para uma cientista famosa contar, logo Janet, tão simples e desconhecida.(...).

Acho que devia ter uns doze ou treze anos quando li este livro! aliás este foi um dos últimos livros que li antes de entrar numa longa fase de "ficção científica"! Acho que quase todos os adolescentes do meu tempo passaram por essa fase.

Mais tarde descobri que o livro mais notável de Jacqueline Susann  foi Valley of the Dolls - "O Vale das Bonecas" (em português), um livro que quebrou todos os recordes de vendas e que deu origem a um filme e a uma série televisiva.

Valley of The Dolls(book cover)by Jaqueline susann


Publicado originalmente em 1966, "O VALE DAS BONECAS", de Jacqueline Susan, é um clássico da literatura americana. Com ingredientes explosivos para a época: muito sexo e drogas, o livro ajudou a retratar um outro lado da nova mulher dos anos 60 e consagrou-se como um grande clássico da cultura pop. A história de três mulheres bonitas e completamente viciadas em comprimidos - e no seu caminho árduo até á fama e fortuna tornou-se um grande sucesso de vendas.

Anne, Neely e Jennifer têm um sonho em comum: o sucesso no showbiz. As três conhecem-se em Nova York e tornam-se amigas. Circulando pelos bastidores nem sempre glamurosos do mundo dos espectáculos, elas compartilham os mesmos objectivos, decepções e um apetite voraz por estimulantes, que ingerem com fartas doses de álcool.

Qualquer semelhança é realmente mera coincidência com a vida de quase-estrela da Broadway de Susan nos anos 50. Mesmo sendo o romance mais característico dos anos 60 "O VALE DAS BONECAS" parece ter previsto os movimentos pós-punk e pós-feministas dos anos 90. Foi adaptado para o cinema em 1967 com Sharon Tate, Patty Duke e Barbara Parkins nos papéis principais.

Jacqueline Susan deixou sua cidade natal, Philadelphia, aos 18 anos, partindo para Nova York onde viveu e trabalhou como actriz por muitos anos. Contudo, foi o sucesso dos seus livros:  "O vale das bonecas", "A máquina do amor" e "Uma vez só é pouco" que a transformaram numa verdadeira "superstar" kitch. Susan, que morreu em 1974, foi casada com o produtor Irving Mansfield.

"Jacqueline Susan compreendia por instinto que seus leitores estavam prontos para o lado cru do amor, para uma sexualidade mais aberta e um tipo de história mais duro. Para um romance com lágrimas e sexo oral." - in The New Yorker

Tudo bem um pouco kitch!  mas "Décadas à frente de seu tempo!"

Para a próxima prometo mais "substância"!!! Boas leituras. Até breve Tágide.



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16 de maio de 2010

Feira do Livro de Lisboa 2010








Começou no dia 30 de Abril, às 12:30 a Feira do Livro de Lisboa.

A feira apresenta este ano pavilhões completamente novos, giros, mais pequenos mas muiiiiito mais funcionais. Também haverá mais actividades e mais espaços de restauração do que em anos anteriores.
E, finalmente, terá um novo horário:

2ª a 5ª Feira - das 12h30 às 20h30

6ª e véspera de feriados - das 12h30 às 23h00

Sábados - das 11h00 às 23h00

Domingos - das 11h00 às 22h00

É fantástica, a sensação de estar num jardim onde existe uma feira que tem as bancas cheias de livros, que podemos tocar, desfolhar e sentir o seu cheiro, demorando-nos, com todas as capas disputando a nossa atenção…
É sempre bom ver as barraquinhas pelo Parque Eduardo VII acima, com o cheirinho a farturas no ar e a perspectiva de uma tarde passada entre livros…
Não perca e boas leituras! Até breve Tágide.
 
 
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27 de abril de 2010

Walt Whitman mais uma vez





Ainda no seguimento do meu post de ontem...

Walt Whitman foi, acima de tudo, um homem que atendeu à chamada para a invenção de uma poesia nova, que falasse a língua do novo país que se estava a formar..
Alguém que se orgulha excessivamente da sua nação? Sim, de certa forma.
Idealista? Sim, em alguns dos poemas.
Mas sempre inventivo, corajoso, e sempre a tentar, com sua palavra, prestar conta do seu tempo histórico, das lutas ocorridas durante sua vida, não só no âmbito pessoal (seus amores e desamores), mas também na vida da nação:
- a guerra civil, durante a qual trabalhou como enfermeiro voluntário (ver especialmente os poemas da secção “Drum-Taps”);
- o assassinato de Abraham Lincoln (na secção “Memories of President Lincoln”);

Um homem do seu tempo, cuja voz vem atravessando os séculos.

Walt Whitman deixou-nos, com Leaves of Grass, seu testemunho e seu testamento humano e literário. Muitos que vieram depois dele  inspiraram-se, aprenderam com ele, discordaram dele, amaram-no e até o odiaram. Mas o seu livro continua vibrante e essencial ainda hoje.

Certamente continuará por ainda muitos anos mais, gerando poemas e poetas.

Voltarei a falar de Walt Whitman.

Até breve.
Tágide
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26 de abril de 2010

Olhar com olhos de ver!


















Este olhar profundo de Walt Whitman serve de imagem central deste blog porque há muitos anos atrás, quando li pela primeira vez, um dos seus poemas:

"Salut au monde!"

fiquei muito curiosa e nunca mais me esqueci dos versos que aqui transcrevo!

"(...)What do you see Walt Whitman?
Who are they you salute, and that one after another salute you?
I see a great round wonder rolling through space,
I see diminute farms, hamlets, ruins, graveyards, jails, factories,
palaces, hovels, huts of barbarians, tents of nomads upon the surface,
I see the shaded part on one side where the sleepers are sleeping,
and the sunlit part on the other side,
I see the curious rapid change of the light and shade,
I see distant lands, as real and near to the inhabitants of them as
my land is to me.(...)"



Walt Whitman foi um poeta norte-americano, descendente de ingleses e holadenses, nascido em West Hills, Long Island.

Contudo, quando tinha apenas quatro anos, sua família mudou-se para Brooklyn, onde frequentou até aos onze anos uma escola oficial, trabalhando depois como aprendiz numa tipografia.

A obra poética de Whitman centra-se na colectânea "Leaves of Grass" dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve ao todo oito edições durante a vida do poeta.

Whitman morreu no dia 26 de Março de 1892 e foi sepultado em Camden, New Jersey.
Cinco anos depois foi publicada em Boston a décima edição de Leaves of Grass (1897), a que se juntaram os poemas póstumos "Old Age Echoes".

Nos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais.

Na sua obra "Leaves of Grass", Whitman exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa.

Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América.

Ficou ainda mais conhecido mundialmente a partir das citações inseridas no enredo do filme original "Dead Poets Society".

Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman".

Walt Whitman introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida.

A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais traduz a ideia de totalidade no verso livre, que irá influenciar não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa.

Saudação a Walt Withman, poema do heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, é uma espécie de manifesto a Walt Whitman.

No poema de Álvaro de Campos, o poeta transmite a sensação de um nervosismo que beira a histeria e afirma ter dúvidas quanto à utilidade da própria existência.
Diz explicitamente que lamenta não ter tido a "calma superior" do poeta americano.

O verso livre e o recurso poético chamado "paralelismo" está neste poema.
Pode-se dizer que o princípio do paralelismo domina a estrutura da poesia.

Na Saudação a Walt Whitman, três versos dão conta da natureza futurista de que era feito Álvaro de Campos.

Ele classifica assim o poeta americano:

"(...)Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquina,
Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor,
Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura(...)".

O futurismo de Álvaro de Campos não é do tipo que empresta às banalidades da vida moderna o estatuto de poesia ou que tenta consolidar novos cânones em detrimento de outros fundadores do pensamento que lhe é contemporâneo.

Álvaro de Campos extrai do moderno o perene, actualiza a ideia e o conceito na matéria viva, revela o eterno no aparentemente transitório.

O poeta americano e seu pansexualismo — “sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões” — uma revelação feliz e bem resolvida de uma certa palpitação erótica — insatisfeita, sofrida, impotente — que se percebe em todos os poemas de Álvaro de Campos.

No seu caso, no entanto, o desejo, sem definição de género, como o de Whitman, parece jamais ter encontrado um lugar, um objecto em que se fixar, um corpo em que se exercer.


"Food for thought"... Dá mesmo em que pensar! Até breve. Tágide
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